A rede de brinquedos Ri Happy pediu recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas, o equivalente a cerca de 69% do faturamento anual, de R$ 1,2 bilhão. O pedido foi protocolado no domingo (18) e confirmado pela empresa nesta segunda-feira (19). Ele abrange outras empresas do grupo, como a PBKids.
Nesse modelo, a companhia negocia diretamente com os credores e leva o acordo à Justiça apenas para homologação, sem passar pelo processo mais longo e custoso da recuperação judicial. A empresa atribui o aperto aos juros altos, às mudanças no consumo, à concorrência e aos efeitos da pandemia, e diz que as 290 lojas e os canais digitais seguem funcionando, com foco na Black Friday e no Natal.
O pedido veio menos de dois meses depois de a BluSun Capital anunciar, em 31 de agosto, a compra de 100% da Ri Happy, por valor não revelado. A rede estava havia 14 anos sob controle do Carlyle, que dividia o comando com a SPX Capital desde 2021. Com a troca, Héctor Nuñez, que dirigiu a empresa entre 2012 e 2020, voltou ao cargo de CEO no lugar de Thiago Rebello.
Em 2023, a varejista já havia renegociado R$ 289 milhões com nove bancos, entre eles Banco do Brasil, Santander e BV, alongando os vencimentos por até cinco anos, e o Carlyle aportou R$ 75 milhões. Cinco anos antes, a empresa chegou a pedir abertura de capital na bolsa, com avaliação estimada entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,7 bilhão, mas adiou a oferta por falta de interesse dos investidores.
No setor, a fabricante Estrela recorreu em maio à recuperação judicial, na Justiça de Três Pontas (MG), com dívidas de R$ 109 milhões. O passivo que a Ri Happy tenta renegociar agora é 7,6 vezes maior.